Isolar-se do convívio social presencial pode ser uma ótima medida preventiva contra o Coronavírus, especialmente para a população acima de 70 anos, que apresenta a maior taxa de mortalidade pelo vírus[1]. O ponto negativo é que o isolamento pode trazer o sentimento de solidão, de abandono e de desamparo. Mas isso não significa que os idosos tenham que passar por isso sozinhos.

De onde veio a inspiração?

A ideia que vou apresentar aqui é baseada em uma pesquisa de 16 meses na qual observei o uso de smartphones por idosos. Se tem um aplicativo que eles usam é o WhatsApp, inclusive para construir redes de cuidados e solidariedade. Eu tenho dois exemplos preciosos. Minha proposta é: vamos aprender com eles e colocar a mão na massa?

Marta, de 54 anos, por exemplo, diz que faz um trabalho voluntário. Todos os dias pela manhã manda mensagens de bom dia para três senhoras idosas que ela sabe que vivem sozinhas. As mensagens funcionam como uma checagem diária de que as senhoras passam bem, além de ser um carinho e uma alegria para elas.

Bete, de 66 anos, vive uma rotina semelhante, mas com a filha, que mora na Espanha. Todos os dias, a filha espera uma mensagem da mãe até as 10h da manhã, quando a mãe confirma que passou bem a noite e que está bem. O mesmo procedimento se repete à noite. Caso a mãe não responda às mensagens, a filha conta com uma rede de amigos no Brasil que pode ser acionada pelo WhatsApp para dar suporte à sua mãe, se necessário. Além disso, Bete, que teve um aneurisma há dois anos, também recebe ligações periódicas de seu plano de saúde. Durante o telefonema, ela atualiza os médicos sobre seu estado de saúde e recebe orientações. Apesar de morar sozinha em São Paulo, longe da filha e do neto, Bete se sente segura e assistida. 

Esse modelo pode ser replicado para levar conforto às pessoas idosas que moram sozinhas durante a crise do Coronavírus. VEM COMIGO!

ANTES DE COMEÇAR: O Anjo no WhatsApp ainda NÃO É uma plataforma que conecta anjos e idosos. Pode ser que vire. Mas, por enquanto, é uma campanha de conscientização FOCADA NA SUA PRÓPRIA REDE DE CONTATOS. A ideia é: pense pequeno, comece por perto. PROCURE ENTRE SEUS CONTATOS DE WHATSAPP. Pergunte para seus amigos. Preste atenção nos seus vizinhos. Com certeza, PERTO DE VOCÊ, existe um idoso que mora sozinho e que vai ficar muito feliz em ser seu protegido. Se você quer falar com a gente, mande um email para anjonowhats@gmail.com

A ideia é simples: ter uma pessoa no WhatsApp que vai funcionar como um anjo da guarda, um verdadeiro ponto de apoio para idosos que moram sozinhos. A ideia pode ser aplicada em qualquer lugar do mundo. Mas é importante fazer como o vírus e começar com as pessoas com quem você tem contato. Por isso, esqueça seu país, esqueça sua cidade. Pense pequeno: comece pelos seus contatos do WhatsApp.

Encontrou o contato de WhatsApp de um idoso que mora sozinho? Então seja o Anjo da Guarda dele:

1) Mande mensagens para ele de manhã e/ou de noite. Pergunte como ele está, se dormiu bem, se comeu, se teve febre, se teve tosse.

2) Esteja disponível para conversar.

3) Esteja pronto para orientá-lo sobre como buscar orientação médica. O Ministério da Saúde desenvolveu um app com roteiro de perguntas para triagem e com mapa das Unidades de Saúde usando geolocalização. Busque CORONAVÍRUS SUS na sua loja de aplicativo. Tem pra Android aqui. E tem pra iPhone aqui.

4) Você também pode manter o idoso informado com notícias de fontes confiáveis O Ministério da Saúde preparou uma página sobre o Coronavírus que pode ser acessada aqui. O app CORONAVÍRUS SUS também oferece dicas e notícias confiáveis.

ATENÇÃO: o papel do voluntário não é fazer diagnóstico nem dar recomendações médicas. Sua função é ser um ponto de apoio e auxiliar o idoso com informações sobre como buscar ajuda médica ou uma unidade de saúde. 

Em 2015, 44,3% das 10,4 milhões de pessoas moravam sozinhas no Brasil tinham 60 anos ou mais [2]. Procure com carinho na sua lista de contatos. E lembre-se: idosos também podem ser anjos da guarda de idosos. Mais um detalhe: a taxa de analfabetismo entre pessoas com mais de 60 anos varia de 10,3% a 27,5% no Brasil [3]. Mas isso não é problema. Voluntários e idosos também podem usar o recurso de áudio do WhatsApp. Lembre-se: pense pequeno, comece por perto, faça uma grande diferença.

VAMOS RELEMBRAR:

1) Dar suporte e diminuir o sentimento de solidão dos idosos durante isolamento por conta do Coronavírus.

2) Duas cabeças pensam melhor que uma: vocês podem discutir as notícias sobre o Coronavírus e fazer uma dupla checagem antes de compartilhá-las com seus amigos.

3) O aplicativo do SUS é realmente muito bom. Mas uma das maiores dificuldades dos idosos (principalmente acima dos 70) é com o download e instalação de novos aplicativos. Você pode ser uma ponte entre o idoso e as informações e orientações contidas no aplicativo do SUS.

POR QUE EU ACHO QUE SOLIDARIEDADE É CONTAGIANTE?

Enviei essa mensagem por WhatsApp para meu grupo de ex-colegas da escola e para seis pessoas da minha rede de contato que eu sabia que falavam italiano.

“Você se sente confiável para se comunicar em italiano? Qual sua disposição para adotar via WhatsApp um idoso que mora sozinho, durante a crise do coronavirus na Itália? Sua tarefa é se atualizar sobre seu estado de saúde de manhã, à tarde e de noite. Você também vai estar disponível para conversar ao longo do dia. E vai orientá-lo sobre como buscar orientação médica na área dele”.

Sete minutos depois, eu já tinha sete voluntários, incluindo amigos de amigos. Nessa noite, um pouco antes da expansão dos casos confirmados de Coronavírus no Brasil, minha atenção ainda estava voltada ao caso italiano. Mas a ideia de ter uma pessoa no WhatsApp que vai funcionar como um anjo da guarda para idosos que moram sozinhos pode ser implementada em qualquer língua e em qualquer lugar.

Durante minha pesquisa, observei que muitos idosos fazem ações de voluntariado também. Um deles me disse “no voluntariado, você acha que está dando algo pro outro, mas quem ganha é sempre você”. Vamos experimentar?

Meu nome é Marília Duque. Passei 16 meses em São Paulo aprendendo como os idosos usam seus smartphones e quais seus impactos para a saúde. Sou doutoranda na ESPM São Paulo, bolsista PDSE CAPES e sou a pesquisadora brasileira do estudo global Smartphones, Smart Ageing, coordenado pela University College London (UCL). Eu estou disponível para contribuir com ideias que possam otimizar recursos de saúde e ampliar o conforto das pessoas, principalmente dos idosos, que foram a população alvo da minha pesquisa. Meu email é mariliaduque@gmail.com

WhatsApp é uma marca registrada e não tem qualquer participação ou responsabilidade pela ideia que proponho aqui.

Esse site é dedicado a Dudu Balochini, falecido em 2019. Foi ele quem me ensinou a criar sites através da sua iniciativa SeniorGeek.

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